Rádio Icó News

sábado, 28 de março de 2020

A QUARENTENA PODE FRAGILIZAR OS CASAIS E DEIXAR A VIDA FAMILIAR A BEIRA DE UM COLAPSO?

COVID-19. A quarentena pode fragilizar os casais e a deixar a vida familiar à beira do colapso?

Não é difícil de prever que as relações familiares estão a passar por um momento difícil, inédito, que estão a levar os casais por caminhos onde nunca andaram, e que não se sabe muito bem aonde vão dar. Passou ainda pouco tempo desde que o País iniciou uma fase de quarentena, mas seguramente que em muitas casas já se sentem os reflexos desta nova realidade, que força a que as famílias convivam durante todo o dia num espaço geográfico limitado, muitas vezes pequeno, o que inevitavelmente gera stresse, tensões, conflitos, não só entre casais, como entre pais e filhos

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Será que esta situação terá um impacto decisivo nas relações íntimas e familiares a longo prazo? Será que a taxa de divórcio, que de acordo com os últimos dados da Pordata está nos 58,7%, vai disparar? Ou, pelo contrário, será que vai mesmo acontecer um babyboom daqui a nove meses? E, quem sabe, será esta uma oportunidade para os pais aprenderem a passar tempo, sem pressas, com os filhos? Um terapeuta familiar e uma sexóloga respondem a todas as questões.

"As pessoas estão fechadas no mesmo espaço e isso pode proporcionar mais fricção "

Primeiro que tudo, há uma questão a esclarecer que pode até já ter surgido na mente das pessoas, mas não foi esclarecida: será seguro os casais manterem a sua intimidade em tempo de pandemia? "Desde que as pessoas não estejam infectadas, não há problema nenhum, até pelo contrário. As pessoas aliviam o stresse e libertam endorfinas", esclarece a sexóloga Ana Tapadinhas.
Contudo, num momento de tensão mundial, se já existia tensão na relação, o cenário pode não ser o melhor: "Se não  há estabilidade na relação conjugal, é um momento em que as pessoas estão fechadas no mesmo espaço e isso pode proporcionar mais fricção em relação às coisas que já estão disfuncionais no casal", acrescenta a especialista.
Da mesma opinião é o terapeuta familiar Manuel Peixoto que fala ainda sobre o fato de a tensão que se vive lá fora acabar por influenciar também a vida do casal, sem que isso implique que haja uma posterior separação. O especialista aponta então para dois tipos comportamentos: uma convivência mais tensa ou enfrentar o momento como uma oportunidade de gerar bem-estar na relação.
"Pode ser um momento para os casais se redescobrirem e descobrirem novas dinâmicas. Muitas vezes o excesso de trabalho e a correria do dia a dia pode não ser suficiente e agora é o momento do reencontro", adianta a especialista Ana Tapadinhas.

Vamos mesmo assistir a um babyboom?

"O babyboom vai acontecer. Vamos ver isso daqui a 9 meses. Nunca vi nenhum estudo suficientemente sério para poder confirmar a 100%, mas uma coisa é certa: quando há apagões em que as pessoas não sabem o que fazer, fazem amor", diz à MAGG o especialista Manuel Peixoto.
Will coronavirus social distancing lead to a baby boom?
Significa isto que tal como é típico que 9 meses depois dos apagões nasçam mais crianças do que noutras circunstancias, depois desta pandemia pode também haver um aumento da natalidade.

Gerir o tempo para evitar conflitos

Neste momento, pelo menos uma das figuras parentais está em casa com os filhos, quer porque a empresa declarou quarentena, quer porque foram forçados a uma quarentena a partir do momento em que o primeiro-ministro, António Costa, anunciou a suspensão de toda a atividade escolar letiva. Depois de muitos pais levantarem a questão "com quem ficam as crianças", surgiu outra logo de seguida: "E agora?".
"Eu tenho sugerido que retomem as atividades que só fazem em momentos de lazer. Brinquem, façam jogos adequados para as idades dessas crianças e aproveitem este momento para retomar as relações com os filhos porque sabemos que na sociedade de hoje em dia os pais não têm tempo para os filhos", refere o terapeuta familiar.
Ainda que estejam em teletrabalho, estas dicas podem ser adotadas para ocupar as crianças de forma a que não sejam uma espécie de "bomba relógio" pronta a explodir sempre que não têm atenção ou algo que os entretenha. No fim do trabalho, pode então dedicar-se com mais atenção às crianças, fazendo parte destes momentos lúdicos.
"Que se volte a brincar em família, que parece que é uma coisa esquecida. Já ouvi pessoas a dizer: 'Pensava que isto ia ser muito tenso, mas finalmente arranjei uma série de jogos com os meus filhos. Estamos a aproveitar", conta o terapeuta familiar Manuel Peixoto.

Fonte; MAGG / Edição Plantão Parnaíba 24 horas



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